Ribeirão Preto e região inauguram Cooperativa de Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço

11/04/2017

No dia 08 de abril, foi realizada a Solenidade de Constituição da Cooperativa de Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço de Ribeirão Preto e região. A ABORL-CCF apoiou e prestigiou o evento, representada por sua presidente, Dra. Wilma Anselmo Lima, pelo presidente do Comitê de Defesa Profissional, Dr. Bruno Rossini, e pelos advogados responsáveis pelo Departamento Jurídico, Dra. Vânia Rosa Moraes e Dr. Carlos Michaelis.

 



Para o Dr. Bruno Rossini, a criação da cooperativa é um marco para os profissionais envolvidos. "Os colegas da região conseguirão negociar com os planos de saúde de forma muito mais efetiva, equilibrando as forças. O cenário é extremamente favorável. A sede será repartida com os anestesistas, que já tem uma cooperativa formada, extremamente organizada, funcionando a todo vapor e que, inclusive, servirá como referência de modelo de negócio", afirma.

 

Dra. Wilma Anselmo Lima também parabeniza a iniciativa e a "É uma honra poder participar de um momento como esse em nossa região. Não há dúvidas que serão colhidos bons frutos e de que a ABORL-CCF irá fazer todo o possível para contribuir com os colegas dessa cooperativa e com todos os que se interessarem em criar novas cooperativas em suas próprias regiões", garante a presidente.

 

Confira abaixo a entrevista com um dos idealizadores do projeto, Dr. Lucas Carenzi.

 



- O que motivou a criação da cooperativa?

Desde 2010, venho atuando em Ribeirão Preto e região como médico otorrinolaringologista. Neste período, observei a depreciação da relação entre os médicos e suas fontes pagadoras, sejam elas as operadoras de saúde ou o SUS. Ano após ano, os contratos se mantinham com honorários pífios e sem reajustes.

Foi então que comecei a investigar maneiras de modificar esta relação. Tomei conhecimento de casos bem-sucedidos de união entre otorrinolaringologistas dos estados do Ceará (COORLECE) e Mato Grosso do Sul (COORLMS), na forma de cooperativas, em que conseguiram poder de negociação, estabilidade e melhoria dos serviços prestados. Então, para aprender um pouco mais sobre estas agremiações e como lidar com este outro aspecto da medicina, o da gestão, fiz um MBA em gestão em saúde. Neste período (2014), iniciei conversas com outros otorrinolaringologistas da cidade e região e também alguns cirurgiões de cabeça e pescoço, observando em todos as mesmas queixas (honorários pífios, carga de trabalho elevadíssima, vários empregos, descredenciamentos arbitrários entre outros). Conseguimos, em cerca de dois anos, juntar mais de 100 otorrinolaringologistas e CCPs da região dispostos a conversar sobre este tema, através de um grupo de whatsapp. Após vários eventos dentro e fora de Ribeirão Preto, nos quais mostramos as conquistas destas duas cooperativas citadas, organizamos a nossa própria cooperativa, a CORP - Cooperativa de Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço de Ribeirão Preto e Região.

 

- Quais as principais demandas dos cooperados?

As principais demandas dos cooperados são por honorários justos, compatíveis com as responsabilidades assumidas em cada procedimento executado, e melhores condições de trabalho, para que possamos atender com qualidade, prestando um serviço de excelência em todos os atendimentos, sejam eles cirúrgicos ou ambulatoriais.

 

- Quais as primeiras atividades que a cooperativa irá fazer?

O grande objetivo da cooperativa não é fixar valores. Sei que cada operadora tem um perfil de clientes e não se pode aplicar um valor único a todos os contratos, ainda mais levando em consideração o SUS, que possui uma tabela extremamente defasada. No entanto, a CBHPM, por ser uma classificação utilizada até mesmo pela ANS para inserir procedimentos no Rol-ANS, será um parâmetro para as negociações.

De início, já está em andamento um contrato com uma operadora local, seguindo valores da CBHPM cheia. Temos também um pronto-atendimento presencial de ORL idealizado em um hospital privado da cidade, que será o primeiro serviço deste tipo em toda a região.

Em relação ao SUS, iniciamos os trabalhos com a proposição de um serviço de sobreaviso a uma instituição com grande número de atendimentos em Ribeirão Preto, ainda aguardando resposta.

 

- Como a ABORL-CCF contribuiu para a criação?

A ABORL-CCF foi fundamental na constituição da CORP. Eu sentia muita dificuldade em unir os médicos para eventos, reuniões e conversas. A ABORL-CCF, nas gestões do Dr. Domingos e da Dra. Wilma, nos forneceu apoio jurídico (DJUR), nos proporcionou eventos presenciais em Ribeirão Preto com a COORLCE e, acima de tudo, facilitou a união dos médicos, na medida em que o nome ABORL-CCF traz credibilidade ao ato de cooperativismo que estamos realizando.

 

- Como idealizador do projeto, quais suas expectativas sobre a melhoria na prática médica que a cooperativa pode trazer?

A partir do momento em que o médico não está sozinho, ele possui poder de negociação com as operadoras de saúde, prefeituras, hospitais etc. Além disto, este mecanismo de união traz segurança e estabilidade, uma vez que os descredenciamentos aleatórios ou punitivos ficam inibidos.

Devemos nos atentar que há poucos dias o Presidente da República sancionou a Lei no 13.429 (conhecida como "Lei da Terceirização"), que permite às empresas terceirizarem suas atividades-fim. Esta medida traz menos impedimentos jurídicos a contratos entre empresas, ampliando o horizonte de negócios das cooperativas médicas.

As boas experiências de associações como a COORLECE e a COORLMS devem ser seguidas. Para tal, as lideranças locais precisam se manifestar. Procurem a ABORL-CCF, identifiquem-se, peçam ajuda a quem já tem experiência e busquem saber como funcionam os processos de uma cooperativa de trabalho médico. Em Ribeirão Preto, estamos sendo apoiados também pela COOPANEST-RP, cooperativa de anestesiologia, que está nos fornecendo sua sede, telefone, secretária, gerência e muito mais por um valor simbólico, no primeiro ano da CORP.

Após todos estes anos, estou bastante seguro de que o cooperativismo é a melhor maneira de lutar contra a decadência da relação médico X operadoras de saúde/SUS, melhorando sobremaneira a qualidade nos serviços prestados aos nossos pacientes.

 

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