Dr. Godofredo Borges

04/09/2013

Como o senhor descreve a atual situação econômica da ABORL-CCF?
A atual situação econômica é confortável. Nossa arrecadação com anuidades cresce a cada ano e os patrocínios para o Congresso Brasileiro ainda nos trazem lucros. Os custos para a realização das campanhas nesse ano já haviam sido aprovados pelo Conselho de Administração do ano passado e ficaram dentro dos valores pré-estabelecidos. Conseguimos novos patrocínios para eventos (exemplo: título de especialista e cerimônia de posse da atual Diretoria Executiva) que não eram patrocinados anteriormente, mas o cenário atual e o grande número de eventos em nosso país estão dificultando o aumento dessa captação.

E como a Associação está posicionada em relação às demais sociedades da especialidade no mundo? Foram firmadas parcerias, por exemplo?
Nossa Associação tem grande representatividade no cenário nacional e internacional. Participamos ativamente dos eventos em nosso país e estamos levando nosso estande aos principais congressos mundiais.

Já chegamos ao segundo semestre de 2013. Na sua avaliação, as metas e os desafios financeiros estabelecidos no início deste ano foram conquistados ou já estão encaminhados? O que comprova isso?
Nossa meta de custo estava dentro do previsto. O investimento realizado para as campanhas "Caminhos da ORL" e "Ouvido, nariz e garganta: cuide e viva melhor" tiveram seus custos aprovados no ano passado e ocorreram dentro do previsto. O congresso desse ano será realizado em São Paulo e tivemos um grande aumento dos custos. Em Recife, por exemplo, não tivemos que pagar o centro de convenções e só esse gasto em São Paulo é de cerca de R$ 1 milhão. O valor anual dos investimentos dos patrocinadores, aliado ao grande número de eventos, não proporcionou um ganho real. Esperávamos uma captação maior de recursos nesse congresso.

Quais foram os principais investimentos da Associação em 2013?
Os investimentos desse ano foram realizados na área da divulgação de nossa especialidade e na criação de uma filial da ABORL-CCF em Brasília. Essa filial é de extrema importância por deixar nossa Associação cada vez mais perto do centro de decisões de nosso país.

A campanha "Ouvido, nariz e garganta: cuide e viva melhor" acaba de ser encerrada. De que forma os investimentos realizados foram convertidos em serviço para a população e visibilidade para a Associação?
A campanha "Ouvido, nariz e garganta: cuide e viva melhor" teve grande aceitação da população e permitiu um melhor entendimento de nossa especialidade para o público leigo.

Como estão os preparativos para o 43º Congresso Brasileiro de ORL-CCF? Quais são as expectativas?
O Congresso Brasileiro desse ano será realizado na capital paulista e já está praticamente pronto. O programa científico está definido, bem como a cerimônia de abertura e a festa de encerramento. Os custos da realização de um evento em São Paulo são superiores do que em qualquer cidade de nosso país e isso se aplica tanto a nós quanto aos patrocinadores na montagem dos estandes. O 43º Congresso Brasileiro vai coincidir com a corrida de Fórmula 1 e felizmente já tínhamos fechado os hotéis oficiais do Congresso.

O Brasil vive um momento de mudanças na área da saúde. Como o senhor analisa o cenário atual da Medicina, considerando programas como o "Mais Médicos" e demais medidas anunciadas pelo governo federal?
As mudanças que estão ocorrendo na área da saúde são preocupantes. Se em um primeiro momento é permitido o ingresso de médicos estrangeiros sem a devida revalidação do diploma para o atuarem como médicos de família em regiões carentes, não temos nenhuma garantia que no futuro não poderão importar especialistas, que fatalmente trabalharão por um preço ainda menor do que aquilo que nos é oferecido. A sociedade observa o total descaso com os hospitais públicos e filantrópicos. A discussão sobre o problema médico no Brasil não será resolvida com a chegada de médicos estrangeiros, mas sim enquanto as condições de trabalho (nas questões de estrutura e segurança), a estabilidade do emprego e a criação de um plano de carreira não forem discutidas. No setor privado, as condições podem ser um pouco melhores do ponto de vista de estrutural, mas esbarram na remuneração vil e no cerceamento das condutas médicas indicadas pelos convênios.

 

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