Dr. Marcelo Hueb

13/01/2012

Otorrinolaringologista desde 1988, Marcelo Miguel Hueb colecionou nesses mais de 20 anos de profissão muitas conquistas e realizações. Uma das maiores começa a ser realizada neste ano de 2012, com o início de sua gestão à frente da entidade máxima de sua especialidade, a ABORL-CCF. Confira a seguir as metas e ideias do novo presidente da Associação.

Antes de tudo, qual a sensação de assumir a presidência da entidade máxima da ORL no Brasil?

Marcelo Hueb: É uma sensação prazerosa, um novo desafio, como foi assumir a Diretoria Administrativa em 2005 e a Vice-Presidência em 2008. A ABORL-CCF tem uma dinâmica própria e uma alta complexidade administrativa e de atividades, além de possuir forte representatividade na classe médica e um expressivo número de associados. Isto traz uma grande responsabilidade para o cargo, que será exercido após este período de "laboratório" administrativo em nossa Associação. O sistema estatutário atual privilegia isto, possibilitando uma participação efetiva dos futuros presidentes nos âmbitos de proposição, discussão e deliberação. Neste sentido, aproveito para agradecer ao Dolci e parabenizá-lo pela sua excelente gestão.

Quais são as principais metas e objetivos que você tem para essa gestão?
MH: Acredito que a manutenção dos pilares administrativo, financeiro, científico, político e de defesa profissional seja uma "obrigação básica" e natural da nossa ou de qualquer outra gestão; para isto, desde já agradeço o apoio, a amizade e a dedicação dos nossos fantásticos funcionários (veja aqui), dos colegas da DIREX - Diretoria Executiva (link), das comissões e de todos aqueles que voluntariamente fazem a ABORL-CCF cada vez mais dinâmica e forte. Tive a oportunidade de participar anteriormente da construção desta situação e tenho agora, com este grupo, a oportunidade de fortalecer ainda mais estes pilares. Pretendemos, ainda, estabelecer uma política de intensa valorização das comissões, permitir uma avaliação crítica e eventualmente propositiva para a consolidação estatutária, manutenção e inovação em projetos de Educação Médica Continuada, com desenvolvimento de metodologias de e-learning e aplicativos para tablets, elaboração de um projeto epidemiológico para a ABORL-CCF, realização de um novo CENSO ORL 2012, editar um novo jornal, agora Boletim ABORL-CCF, com novo sistema de visualização na nossa página, com novas sessões dos colaboradores, associados remidos, mais riqueza de imagens e com maior estímulo e interesse para patrocinadores.

Planejamos ainda a tradução do nosso Tratado de ORL para a língua espanhola para iniciar um trabalho de captação de associados estrangeiros, valorizar a memória da ORL criando uma galeria de ex-presidentes em nossa sede, melhorar sua estruturação para o recebimento de eventos e ainda desenvolver uma estratégica antecipada de captação de recursos para 2013.

Além disso, estamos trabalhando forte para oferecer um ótimo 42º Congresso Brasileiro de ORL em Recife e no desenvolvimento de uma inédita campanha nacional unificada de divulgação da Otorrinolaringologia.

Tecnicamente, é um curto período de tempo, mas nos esforçaremos para realizar estes projetos e outros que eventualmente surgirão, e contar com a continuidade deles nas futuras gestões. A continuidade das boas coisas é fundamental; onde existe trabalho e harmonia, inclusive política, as boas ideias sempre prevalecerão.

Podemos então ter neste ano a primeira campanha unificada feita pela ABORL-CCF. Qual a sua visão sobre isto?

MH: Há vários anos tenho acompanhado e participado intensamente das campanhas promovidas pela ABORL-CCF e pelas supraespecialidades. Experiências como a coordenação estadual em MG da Semana da Voz e a coordenação nacional da Campanha da Saúde Auditiva possibilitaram a conclusão da necessidade de que o nome da ABORL-CCF seja priorizado como sendo a entidade efetivamente à frente de todas as campanhas, promovendo apoio financeiro, estrutural, de pessoal e logístico, dentre outros. Em entrevistas aos meios de comunicação em geral, durante essas campanhas, isso precisa ser priorizado e ressaltado, para que outras entidades não médicas não ocupem um espaço que é primordialmente nosso, da nossa ABORL-CCF.

Esta parceria entre as "supras" e a ABORL-CCF é essencial para ambas, e o nome da associação-mãe deve ser ressaltado, até mesmo porque é a nossa legítima representante junto à AMB. Neste sentido, pretendemos fazer um grande tour em uma unidade móvel estilizada, agregando a expertise e os esforços das academias das supraespecialidades, promovendo uma campanha nacional unificada e itinerante, visitando cidades estratégicas em momentos de eventos locais relevantes, levando os nossos modelos infláveis, orientando e conscientizando a população leiga, além de divulgar a Otorrinolaringologia. Contamos com o apoio de todos para esta campanha, a "Caminhos da Otorrinolaringologia", nome que simboliza os caminhos dos ouvidos, nariz e garganta pelo Brasil. Pretendemos iniciar essa atividade muito em breve, culminando com um momento junto ao centro de convenções em Recife, por ocasião do 42º Congresso Brasileiro de Otorrinolaringologia.

Existe algum plano de mapeamento epidemiológico em ORL no país para que a ABORL-CCF tenha esta referência quando se falar em surdez, rinite e outros?

MH: Elaboramos um projeto de consulta aos associados, com uma proposta de benefícios aos que participarem. Solicitaremos informações sobre os códigos de CID atendidos em um determinado período ao meio de cada estação do ano, em todo o país. Creio que isto irá fornecer importantes dados sociodemográficos, geográficos, sazonais e de prevalência para a utilização com diversas finalidades. Isto certamente tornará mais clara a realidade epidemiológica das doenças otorrinolaringológicas em nosso país, além de iniciar uma política de consulta epidemiológica aos associados e a valorização desta atividade junto ao Ministério da Saúde.

Nos últimos anos o senhor foi o responsável por iniciar a aproximação e estreitar os laços da ABORL-CCF com a Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (ABRAMET). Como especialista em ORL e Medicina de Tráfego, como o senhor avalia a importância dessa relação para o ano de 2012 e para a especialidade?

MH: A parceria com a ABRAMET foi e tem sido importante para a nossa associação, especialmente no contexto da Medicina do Sono. Pudemos demonstrar a necessidade dos encaminhamentos pelos especialistas em Medicina de Tráfego para os ORL, nos casos de suspeita de apnéia em condutores veiculares quando do exame de aptidão física e mental para a habilitação ou renovação da Carteira Nacional de Habilitação - CNH. Isto está assegurado, e esta parceria tem beneficiado colegas em todo o país e contribuído para o que costumo chamar de "condução veicular saudável". Além disso, contamos e temos apoio de primeiro momento da ABRAMET em nossa campanha "Caminhos da Otorrinolaringologia". Procuraremos estabelecer uma avaliação do sono nos motoristas que participarem na condução dos veículos da campanha e isto é de interesse das duas associações e, obviamente, da população.

A ABORL-CCF está no seu auge em termos financeiros e estruturais?

MH: Certamente trabalharemos para, no mínimo, manter a situação atual. Isto não significa, porém, que consideramos a ABORL-CCF no seu auge. Acomodar-se, jamais! Precisamos de uma programação a curto, médio e longos prazos para alavancarmos ainda mais todos os setores da nossa associação. Um exemplo disso foi a política de "Mais benefícios, Menor valor!", no qual uma anuidade com desconto de 50%, aliada a inúmeros benefícios aos associados, foi planejada em 2006 para que chegássemos a 4.500 associados quites em 2 anos de gestão.

Chegamos lá e isso reforça a nossa intenção em propor estatutariamente a criação de um Conselho de Planejamento Estratégico, composto por ex-presidentes e outros colegas com experiência acadêmica e administrativa. Precisamos enxergar a ABORL-CCF no futuro, direcionar os nossos esforços e subsidiar o Conselho Administrativo e Fiscal com sugestões relevantes.

Falando em auge, e você? Está também no auge de sua carreira? Como você avalia o fato de um médico do interior do país, atuando longe dos grandes centros, assumir a presidência da associação? Quais os seus planos além deste exercício na presidência da ABORL-CCF?

MH: Em relação ao cargo assumido, creio que a presidência da ABORL-CCF signifique um auge associativo, porém ainda tenho o que aprender. Tive o grande prazer de trabalhar intensamente na gestão Richard Voegels, com um grupo fantástico, onde aprendi muito.

Acredito fortemente que apenas uma participação continuada na ABORL-CCF possibilite a vivência e experiência necessárias na identificação dos problemas e quais as soluções a serem atingidas, além de aprendermos a trabalhar para alcançá-las. Pelo caminho que vivenciei na administração da ABORL-CCF e por todo o pessoal que assume esta gestão comigo, creio que estejamos próximos disto.

Assumir um posto desta magnitude, atuando fora dos grandes centros, certamente se relaciona à minha trajetória na Otorrinolaringologia em vários aspectos, reconhecimento ao trabalho administrativo desenvolvido e também pela estabilidade e maturidade políticas recentes. A ABORL-CCF é nacional e isto demonstra cabalmente uma mentalidade de abertura e descentralização, onde agradeço o apoio de todos os amigos da gestão do Richard e ao Ricardo Bento. Assumo em nome de todos os ORL brasileiros!

Em virtude deste exaustivo trabalho e da necessidade de novas ideias, é fundamental que haja uma renovação, além do que, estas funções às quais me propus por vezes acabam conflitando com as minhas intensas atividades acadêmicas e assistenciais em Uberaba. Para tudo há um tempo, e após este período na presidência da ABORL-CCF o planejamento se direcionará para estas atividades e para "curtir" ainda mais minha família e amigos, os de longa data e os inúmeros que fiz e tenho feito nestes últimos anos de ABORL-CCF. Este certamente é o auge pessoal e profissional que pretendo atingir!

Para finalizar, qual a sua mensagem para o membro da Associação e o que ele pode esperar da sua gestão?

MH: Com certeza posso assegurar, em meu nome e dos amigos que estarão mais próximos na gestão, muito trabalho e dedicação, procurando cumprir nossas metas e deixando a associação ainda melhor para as próximas gestões e para os associados. Tive a oportunidade de um extraordinário exemplo ético, moral, profissional e familiar em casa: meu saudoso pai, Aziz Miguel Hueb, também otorrinolaringologista. Espero que a percepção das boas coisas em nosso trabalho sirva também de exemplo e estímulo aos jovens associados, para que contribuam e participem ativamente da nossa associação. Participem, enviando críticas e sugestões.

Ajudem-nos a fazer a ABORL-CCF cada vez mais forte!

 

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