Dr. Silvio Caldas

23/03/2010

- De maneira sucinta, explique para o associado esse imbróglio envolvendo o Brazilian Journal.

Dr. Silvio Caldas: Desde 2005 vínhamos publicando duas revistas com ISSN diferentes - a Revista Brasileira de ORL (indexada à SciELO) e o Brazilian Journal of ORL (indexado ao Medline). Apesar de a segunda não ser senão a tradução literal da primeira, as bases de dados as viam como revistas distintas. No começo do ano passado, a SciELO determinou que extinguíssemos uma das duas. Por razões óbvias, escolhemos descontinuar a Revista Brasileira e, ato contínuo, indexarmos o Brazilian Journal à SciELO. Ficamos então com uma só revista, o Brazilian Journal, indexado no Medline e na SciELO. Só que, alguns meses depois disso, a CAPES alterou o sistema de classificação dos periódicos, agora com base no fator de impacto calculado pela SciELO. Como ainda não completamos nem um ano de indexação na SciELO, ficamos com o nosso fator de impacto zerado! E a nossa classificação ficou em um nível muito baixo.


- O que a diretoria fez para resolver a questão do fator de impacto do Brazilian Journal?

SC: A Diretoria entrou em contato com o Coordenador da Área de Medicina III da CAPES e expôs as recentes alterações feitas (extinção da Revista Brasileira e Indexação do Brazilian Journal à SciELO) e solicitou que o nosso fator de impacto fosse calculado de acordo com o desempenho histórico da revista, considerando o fato importante de estarmos indexados também ao Medline desde 2005.



- O Brazilian Journal já subiu na classificação ou ainda é preciso um tempo?


SC: A CAPES compreendeu nossa situação peculiar e, após análise criteriosa do nosso desempenho, concordou que estávamos classificados em um nível aquém da nossa realidade. Imediatamente, refizeram a classificação e agora já estamos classificados adequadamente (B3).

- Qual sua opinião a respeito da CAPES e dos últimos acontecimentos envolvendo a maneira de classificar programas como Medline e SciELO?

SC: A CAPES quer zelar pela boa qualidade da nossa produção científica e dos nossos programas de pós-graduação. Por isso ela tem periodicamente aumentado o grau de dificuldade para o credenciamento desses programas, como uma forma de nos estimular a publicar artigos de qualidade cada vez melhor, como se estivesse elevando o "sarrafo" em prova de saltos. O problema é que, se você eleva o "sarrafo" alto demais, isso pode ter um efeito contrário, fazendo com que os pesquisadores desistam do esforço que pode ser em vão. Essa última alteração na classificação dos periódicos desagradou muito as áreas cirúrgicas, justamente porque representava um sarrafo alto demais. Mas parece que as inúmeras manifestações tanto por parte dos programas como por parte das revistas acabou sensibilizando o pessoal da CAPES, que readaptou os novos critérios à nossa realidade.


- Você acha necessário ter algum represente de pós-graduação na Comissão do Brazilian Journal?

SC: O representante de um programa de pós-graduação tem voz nas reuniões da CAPES. Essa pessoa tem acesso direto às informações e aos coordenadores de áreas. É muito importante ter, nessas reuniões, alguém que defenda os interesses do Brazilian Journal e, em última análise, dos pesquisadores otorrinos. Por isso é desejável que, na Comissão do Brazilian Journal e no corpo de editores, estejam presentes representantes de programas de pós-graduação.

 

Bookmark and Share