Dr. Marcelo Hueb

14/09/2009

- Como os especialistas em medicina de tráfego recebem um otorrinolaringologista nesse universo? Eles são receptivos?
Dr. Marcelo Hueb: Extremamente receptivos e cordiais. Estive a convite deles no VIII Congresso Brasileiro Sobre Acidentes e Medicina de Tráfego onde falei sobre o tema "Otorrinolaringologia e Medicina de Tráfego: somando forças para melhor avaliar condutores portadores de SAOS". Este evento ocorreu em Belo Horizonte (MG,) de 3 a 5/09 no hotel Ouro Minas, e esteve lotado. A atual diretoria conta com colegas otorrinolaringologistas e também oriundos de várias outras especialidades médicas. A ABRAMET (Associação Brasileira de Medicina de Tráfego) é uma entidade médica madura, com quase 30 anos de existência, extremamente dinâmica e participativa, atuando principalmente em ações, pesquisas e projetos para a prevenção de acidentes decorrentes da mobilidade humana. Como a ABORL-CCF, é filiada à AMB e tem entre seus pré-requisitos exames para a obtenção do título de especialista. São entidades irmãs.

- Quais os projetos futuros que as duas associações planejam? Após aprovação pela ANVISA da nova rotulagem nos medicamentos que podem causar sonolência, o que as associações planejam?

MH: A consolidação desta parceria está cada vez mais forte. Esperamos a promulgação desta lei de rotulagem de medicamentos, que será de grande estímulo para isto. Além disto, outro fato importante nessa fase inicial foi o estabelecimento e reconhecimento da atuação do médico ORL como sendo o mais habilitado e capaz para lidar com a apneia obstrutiva do sono. Isto posto e com o acesso direto ao site da ABORL-CCF, disponibilizado através de link no site da ABRAMET (http://www.abramet.org/Site/Pagina.aspx?ID=512&MenuID=77〈=pt_BR), abriu-se o caminho para a localização dos otorrinolaringologistas em todo o país para os encaminhamentos de condutores ou candidatos à CNH com suspeita de possuírem apneia obstrutiva do sono. Isso foi uma conquista nossa e que já tem trazido frutos aos otorrinolaringologistas.

- Quando surgiu a vontade de se tornar especialista, também, em medicina do tráfego?

MH: Desde a minha formação acadêmica tive um grande contato com a Otorrinolaringologia e a Oftalmologia. Faço parte de um grupo que atua há décadas nessas especialidades e que também há décadas possui um instituto de psicotécnica, em Uberaba (MG). A aproximação foi natural e logo senti a necessidade de aprofundar-me nos conhecimentos da Medicina de Tráfego e obter o título de especialista, que consegui em 1999.

- Conhecer a ORL ajudou nessa nova especialidade ou são muito diferentes? Você acha que é importante o ORL se incorporar à medicina do tráfego?

MH: Extremamente importante. A Medicina do Tráfego é muito abrangente e a condução veicular, além de segura, deve ser saudável. As doenças otorrinolaringológicas têm grande influência nesse contexto e obviamente a nossa atuação tem grande importância. É uma importante área de conhecimento que o especialista em Medicina de Tráfego precisa participar. Veja bem, a resolução nº267 do CONTRAN especifica a necessidade de avaliação otorrinolaringológica no que concerne à audição e ao equilíbrio (anexo III), além da avaliação da voz coloquial (anexo IV) e de possíveis indicadores para distúrbios do sono (anexos X, XI e XII). Em casos onde o médico especialista em Medicina de Tráfego detectar alterações nessa avaliação de aptidão física, ele precisa encaminhar os candidatos para uma avaliação mais profunda. Não tem como o ORL deixar de participar ativamente desse processo e firmar cada vez mais essa parceria. Esse é um campo em que não devemos deixar para que outros profissionais da saúde façam essas avaliações complementares. Essa avaliação complementar deve ser médica e, especificamente, otorrinolaringológica.

 

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